quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Respiração rápida e ofegante, passos rápidos e embaraçados,  passei por dois carros que estavam parados no sinal, segurei com uma mão o capuz da jaqueta e andei mais rápido ainda, passei por um casal que estava abraçado rindo embaixo de um guarda-chuva preto, cheguei a rua do meu apartamento, abri a porta e nem olhei pro Seu Marcelo, que estava sentado vendo aquela mesma novela de sempre, enquanto meus passos ecoavam pelo saguão ouvi ele gritar " boa noite" .
Subi as escadas de um jeito apressado, abri a porta do meu apartamento e por fim soltei o meu capuz, sem vento e chuva pra molhas meus cabelos longos e negros, deixei a chave na mesinha de centro da sala, joguei minha jaqueta no sofá e peguei o telefone que estava tocando fazia algum tempo desde que eu abrirá a porta. Era meu professor de filosofia me perguntando o motivo de minhas faltas a faculdade, só respondi que iria repor e desliguei, entrei no banho e fiquei alguns minutos, longos e incontáveis minutos me perguntando: Quem era aquele rapaz parado na janela de frente ao meu escritório? O que ele queria me avisar com aquele bilhete que ele deixou na recepção logo após eu ter dito que eu não o atenderia? Quem pediria pra mim não me iludir com a escuridão da noite em um dia de chuva?
Liguei a TV e pedi logo uma pizza, adormeci e acordei assustada com a campainha, era a pizza e adivinhem quem estava a carregando? Sim, ele mesmo, o rapaz do escritório, entregou a pizza sem olhar nos meus olhos, pegou o dinheiro e apenas perguntou se eu havia lido, se sim ele estaria em paz. Não respondi nada, bati a porta na cara dele e disse para que ficasse com o troco, ouvi o som dos seus passos lentos descendo a escada.
Deixei a pizza de lado e resolvi deitar sem comer nada, aliás o pensamento que eu tinha desde quando sai do escritório não era outro "Quem era ele e afinal e o que queria com aquele aviso?".
Adormeci era tarde demais, acordei sonolenta e aquele pensamento já tinha de algum modo se perdido.
Os dias se passaram e o tempo melhorou, e quando tornou a chover do mesmo modo, ele deixou um bilhete com as mesmas palavras da primeira vez, e foi assim todas as noites chuvosas eu corria até meu apartamento logo após o trabalho mas sem nenhuma explicação. Bom ainda não tive explicação...

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